- por Nedisson Gessi
Vivemos em tempos marcados por desafios que não cabem em uma única área do conhecimento. Mudanças climáticas, inovação digital, saúde mental, desigualdade social... são temas complexos, interconectados e urgentes. E justamente por isso, não dá mais para pensar e agir de forma isolada.
É nesse cenário que o nexialismo ganha força: uma proposta que vai além da interdisciplinaridade e convida pessoas e organizações a conectarem saberes para transformar o futuro.
O que é Nexialismo?
O termo surgiu na ficção científica, mais precisamente no livro The Voyage of the Space Beagle, de A. E. Van Vogt, publicado nos anos 1950. Nele, o nexialista era o profissional capaz de integrar áreas distintas do conhecimento dentro de uma missão espacial.
Trazendo esse conceito para o nosso tempo, o nexialismo se tornou uma filosofia de vida e de trabalho. Ele representa a arte de tecer conexões entre áreas diferentes, superando as barreiras que o excesso de especialização criou. É sobre ver o todo, articular ideias diversas e encontrar soluções inovadoras a partir dessa união.
Fragmentação já deu o que tinha que dar
Durante muito tempo, ser especialista era sinônimo de sucesso. E, claro, a especialização trouxe avanços incríveis. Mas ela também gerou um problema: compartimentalizou o saber, isolando as pessoas em “caixinhas” e dificultando o trabalho conjunto.
O resultado? Dificuldade para resolver problemas reais, que geralmente pedem mais de uma lente.
O nexialismo surge como resposta: ele valoriza o especialista, mas lembra que é nas interseções entre os saberes que moram as grandes inovações.
Como isso funciona na prática?
Imagine um time formado por engenheiro, designer, educadora, programador e filósofa. Cada um vê o mundo de uma forma. Agora pense neles trabalhando juntos para resolver um problema complexo. A diversidade de visões, quando bem conectada, pode gerar ideias que nenhuma área isolada produziria.
Esse é o espírito do nexialismo: colaboração real entre diferentes para criar soluções melhores, mais criativas e mais humanas.
As competências do futuro são nexialistas
Não é exagero dizer que o mercado de trabalho está mudando. Cada vez mais, empresas e instituições buscam pessoas com perfis híbridos, que saibam dialogar com diferentes áreas, traduzir conceitos e colaborar em times diversos.
As principais habilidades desse novo profissional?
- Pensamento interdisciplinar: conectar áreas e ideias diferentes;
- Visão sistêmica: enxergar o todo, além das partes;
- Criatividade integrativa: gerar ideias a partir da diversidade;
- Colaboração entre diferentes: saber ouvir, incluir e construir junto;
- Flexibilidade e adaptabilidade: aprender, desaprender e reaprender o tempo todo.
O “ornitorrinco profissional”
Uma metáfora divertida e poderosa: o profissional nexialista é como o ornitorrinco — uma mistura única de diferentes características que, juntas, funcionam com equilíbrio. É alguém que não cabe em uma única definição, mas que consegue atuar em vários contextos, conectando saberes e pessoas com fluidez.
Por que isso importa agora?
Porque os desafios do nosso tempo exigem isso. E rápido. Estamos falando de:
- Problemas globais interligados;
- Ambientes de trabalho mais híbridos e colaborativos;
- Processos de inovação que dependem da diversidade de pensamento;
- Mudanças constantes que exigem novas formas de aprender e agir.
Ser nexialista não é uma tendência passageira — é um diferencial estratégico e humano.
Um convite
Se você sente que não se encaixa em uma caixinha só, que gosta de circular por diferentes áreas e de conectar ideias aparentemente distantes… o nexialismo pode ser o seu caminho.
Mais do que um conceito, ele é uma postura diante da vida: a de quem escolhe ver conexões onde os outros veem muros.
"O futuro pertence àqueles que conseguem conectar o que outros veem como desconexo, encontrando padrões onde outros veem apenas caos."
Adotar o nexialismo é tornar-se um agente transformador, criando pontes entre conhecimentos diversos e descobrindo soluções inovadoras para os desafios do nosso tempo.